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Dia Nacional do Voluntariado

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E como foi hoje com as mulheres?

Esta é a pergunta que sou acolhido em casa depois de passar a tarde toda na Pastoral da Mulher. A pergunta é lançada com toda expectativa, pois meus irmãos me observam saindo rápido da faculdade, almoçando apressado em casa, para sair correndo para a zona da cidade. Em certas ocasiões, algum deles me param na minha correria para dizer-me: por que vai tão rápido? Enquanto outra voz responde: ele vai hoje à Pastoral.

Saio de casa para o ponto de ônibus, onde me encontro com outro irmão para irmos juntos à Pastoral. Corremos para chegar no Cantinho da Paz a tempo de sua abertura para ajudarmos nas atividades programadas daquele dia. Tem dias de festa, dias de dar curso de pintura em panos de prato, dias de aulas de inglês, dias de artesanatos, dias de visita aos hotéis, dias de pesquisa e de organizar informações, dias de preparar a logística para uma atividade… mas, com certeza, todos os dias são dias para estarmos disponíveis para as mulheres, qualquer outra atividade é só pretexto! O importante é estar ali, a tempo para cumprimentá-las, ouvi-las, ajudá-las quando possível, levar-lhes um informativo de boa-nova que faça a diferença no dia delas. Afinal, as mulheres têm jornadas bem monótonas nos hotéis: atendendo clientes, preocupadas com a diária, ou quem sabe com outras tantas dificuldades familiares e pessoais que elas têm em suas cabeças. Nós estamos lá para oferecermos o diferencial de nossa presença. Afinal de contas, nossos bate-papos nos hotéis, cursos, orações, lanches no Cantinho da Paz são atividades de pura gratuidade e amizade. Elas mesmas nos esperam e dizem: “vieram nos saudar os voluntários do Diálogos, o que tem para hoje?”

Cada dia de Pastoral é bem distinto do outro. Há dias de alegria e esperança, ao ver uma mulher feliz com a vida, ao ser testemunha de sua generosidade, de seus triunfos, e de quanto amor as habita. Mas há também dias de acompanhar seus sofrimentos, suas lutas sociais, de curar as feridas com a escuta e o consolo. Mulheres corajosas estas da Pastoral!

As tardes na Pastoral não passam em vão. Tanto nas mulheres como em mim vão acontecendo muitas coisas. Vamos juntos superando os preconceitos e fazendo-nos ambos mais humanos. Nossos encontros nos tornam cada vez mais pessoas. A cada dia que deixo a pastoral fico experimentando diversos sentimentos: às vezes fico triste e frustrado pela realidade; muitos dias fico pensativo e me sinto desafiado; em vários dias fico contente, em outros fico feliz… em todos eles exausto de estar tão presente, tão atento, tão à escuta naqueles encontros.

Quando retorno para casa, respondo à pergunta de meus irmãos falando sobre algo que me marcou naquele dia junto às mulheres na pastoral. Em seguida, tomo um bom banho, como algo e me dou um tempo para falar com Deus. Busco discernir como Ele se fez presente em minha vida e na vida daquelas irmãs em situação de prostituição. Logo após, agradeço pela equipe de leigas, pelas Oblatas do Santíssimo Redentor e pelas voluntárias e voluntários que corajosamente estão lá todos os dias para servir às mulheres. Ao final, dou um profundo obrigado a mais por este voluntariado que faz tanto bem a elas, a mim, à sociedade, à Igreja, a todos.

Feliz dia das/os voluntárias/os para todas aquelas e aqueles que como eu encontram tanto bem dando uma mão na pastoral da mulher. E se você ainda não for voluntário, venha! Estamos de braços abertos para lhe acolher! Temos tantas coisas a fazer e como melhor adaptar nosso serviço nesse contexto de pandemia… mais um desafio!

Voluntário Leonardo Enrique Gamboa León

Jesuíta

Depoimentos de alguns voluntários da Unidade Diálogos pela Liberdade

– “Ser voluntária do Diálogos pela liberdade é fazer parte de uma linda missão!  Fazer a diferença nesse mundo, com pequenas e grandes atitudes, se comprometer com o bem! Desenvolver a humanidade que temos, para oferecer o que melhor que podemos, com a pureza de querer cuidar daquelas que precisam, sem preconceitos, julgamentos e muito respeito, pois merecem!

Foi uma imensa satisfação conhecer o projeto, aprendizado que proporciona muita evolução, e ascende minha esperança na humanidade! E como mulher sinto que não estamos sozinhas, onde quer que estejamos… Terão outras pessoas também na luta por condições dignas para todas!”– Voluntária Laila Tamires Sousa Carvalho

“Ser voluntária é a possibilidade de servir ao próximo, também de crescer como um ser humano, de conhecer outras realidades, de poder contribuir para diminuir as desigualdades e aprender verdadeiramente o significado de fraternidade”. – Voluntária Queila

“Ser voluntário é compartilhar a vida e a esperança”. Voluntário Wilo.

 

“Ser voluntário é ganhar um tempo a cada semana para partilhar a vida com as mulheres, ajudá-las no possível e junto como irmãs e irmãos fazer-nos mais humanos”. –  Voluntário Leonardo Enrique Gamboa León

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Conteúdos do blog

As publicações deste blog trazem conteúdos institucionais do Diálogos pela Liberdade – Unidade da Rede Oblata Brasil, bem como reflexões autorais e também compartilhadas de terceiros sobre o tema prostituição, vulnerabilidade social, direitos humanos, saúde da mulher, gênero e raça, dentre outros assuntos relacionados. E, ainda que o Instituto das Irmãs Oblatas no Brasil não se identifique necessariamente com as opiniões e posicionamentos dos conteúdos de terceiros, valorizamos uma reflexão abrangente a partir de diferentes pontos de vista. A Instituição busca compreender a prostituição a partir de diferentes áreas do conhecimento, trazendo à tona temas como o estigma e a violência contra as mulheres no âmbito prostitucional. Inspiradas pela Espiritualidade Cristã Libertadora, nos sentimos chamadas a habitar lugares e realidades emergentes de prostituição e tráfico de pessoas com fins de exploração sexual, onde se faz necessária a presença Oblata; e isso nos desafia a deslocar-nos em direção às fronteiras geográficas, existenciais e virtuais. 

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