desigualdade

Perfil socioeconómico das mulheres em situação de prostituição de rua na cidade do Lobito

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Na sociedade actual, como sempre, brotam ideias acerca daquilo que define uma prostituta. A prostituição é uma realidade social existente em quase todas as sociedades, diferenciando-se na sua forma de actuação. É uma construção histórica, que foi modificada e adaptada a cada época. Mas podemos dizer que, desde o início, combina aspectos da sexualidade, da família, das relações económicas e de poder em cada sociedade.

Quando falamos do perfil socioeconómico estamos a falar de dados que contem informações económica, social e até cultural de uma pessoa. Ou seja, todo conjunto de ordem social e económico de uma determinada pessoa ou grupo.

Principais causas da prostituição de rua, na cidade do Lobito

A partir do Trabalho desenvolvido no Centro Social Renascer, conseguimos perceber que as mulheres em situação de prostituição de rua na cidade do lobito (99,9%) apresentam o seguinte perfil socioeconómico: 

  • Vivem na pobreza extrema;
  • Baixo nível académico;
  • Maiorias delas vivem em zonas de difícil acesso;
  • São Mulheres frágeis e vulneráveis ;
  • Não têm acesso aos serviços públicos, Educação, Saúde, Registo de nascimento, energia, e água.
  • Têm uma idade entre 13 a 40 anos;
  • 88% dessas mulheres têm um filho, e assumem a responsabilidade dos filhos sem ajuda do parceiro;
  • 75% delas não exerce nenhum outro tipo de actividade remunerada para sobreviver além da prostituição;
  • Acreditam em Deus e, independentemente das actividades que praticam, todas assumem uma religiosidade;
  • 85% não têm casa própria, vivem com parentes;
  • 77% das mulheres dizem que as famílias têm conhecimento, e a incentivam a trazer alimentação para casa.

Diante deste perfil entendemos que é necessário ter em conta toda realidade global e estrutural da nossa sociedade, começando pela reorganização social, para que as desigualdades sociais, a exploração, a pobreza, miséria, violência, a falta de oportunidade, a fome, maus tratos, o egoísmo, o consumismo, e tantas outras mazelas sociais que afetam as mulheres em contexto de prostituição de sobrevivência, ou de rua, na cidade do Lobito, não sejam condições favoráveis para que elas continuem nesta situação triste e chocante. Percebemos que essas são as principais causas da prostituição de rua, na cidade do Lobito.

Zonas onde algumas mulheres vivem

FACE A ESTA SITUAÇÃO, O CENTRO SOCIAL RENASCER, COMO RESPOSTAS, DESENVOLVE AS SEGUINTES ATIVIDADES:

Acolhimento: acolhida é o cartão postal fundamental para os passos seguintes que pretendemos dar com elas; é a partir da acolhida que elas vão começando a ver que é um lugar seguro, onde podem expressar os seus sentimentos, e sentirem-se seguras e confiantes.

Trabalho de campo: realizamos visitas nos locais onde as mulheres vivem, para facilitar a sua inserção numa das áreas de actuação que temos, conhecendo melhor o contexto de onde ela vem, e os seus familiares. Assim, fazemos um diagnóstico real da situação de cada uma delas.

Atendimento Psicossocial: é uma etapa de escuta e orientação. Elas expressam o que sentem e o que necessitam, falam da realidade nua e crua que vivem, situação de violência, preconceito, doença, pobreza extrema, como se prostituem, há quanto tempo. Em função do que nós vamos observando desde acolhida até o trabalho de campo, elas são encaminhados em diferentes serviços como; Loja de Registo de Nascimento, porque a maioria não possui um B.I e nem registo de nascimento.

Alfabetização: temos duas turmas sendo que, a maioria delas não consegue escrever nem ler porque nunca tiveram acesso a escola; e as que escrevem e leem vão para os cursos profissionais.

Cursos profissionais: a partir do curso de Hotelaria e Turismo e de Informática que nós oferecemos, elas conseguem o básico de preparação para serem inseridas no mercado de trabalho quer formal ou informal.

Renascer – Minimizar causas e consequências da prostituição

De salientar que o objectivo social do Centro é minimizar as causas e consequências da prostituição, criando novas alternativas de vidas para estas mulheres e os seus familiares, fazendo com elas um caminho melhor para mudança de vida. Fruto do nosso trabalho: temos muitas mulheres que hoje deixaram a vida de prostituição; umas delas formaram os seus lares, têm os seus trabalhos, e até uma é empresária.

A nossa abordagem foi feita simplesmente com as mulheres que exercem a prostituição de rua, e sabemos que este fenômeno está por níveis, exploramos o nível baixo a de rua, ou seja, a de sobrevivência, que é uma prática exercida por mulheres de um nível social econômico e acadêmico muito baixo. É uma prática de sobrevivência e elas dependem exclusivamente do que ganham para o seu sustento e dos seus familiares. Elas estão sujeitas a precariedade e a vulnerabilidade, e vítima de violência na rua.

Por Cláudio Sawandi | Educador social | Centro Social Renascer

Leia o texto na íntegra no portal da Rede Oblata – Clique aqui

Saiba mais sobre a Unidade Centro Social Renascer missão Oblata na Angola

Conteúdos do blog

As publicações deste blog trazem conteúdos institucionais do Diálogos pela Liberdade – Unidade da Rede Oblata Brasil, bem como reflexões autorais e também compartilhadas de terceiros sobre o tema prostituição, vulnerabilidade social, direitos humanos, saúde da mulher, gênero e raça, dentre outros assuntos relacionados. E, ainda que o Instituto das Irmãs Oblatas no Brasil não se identifique necessariamente com as opiniões e posicionamentos dos conteúdos de terceiros, valorizamos uma reflexão abrangente a partir de diferentes pontos de vista. A Instituição busca compreender a prostituição a partir de diferentes áreas do conhecimento, trazendo à tona temas como o estigma e a violência contra as mulheres no âmbito prostitucional. Inspiradas pela Espiritualidade Cristã Libertadora, nos sentimos chamadas a habitar lugares e realidades emergentes de prostituição e tráfico de pessoas com fins de exploração sexual, onde se faz necessária a presença Oblata; e isso nos desafia a deslocar-nos em direção às fronteiras geográficas, existenciais e virtuais. 

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